Fórum Indígena em Matão debateu reparação histórica e direitos dos povos originários
O evento ocorreu de 15 a 17 de abril na Casa da Cultura, sendo que a programação fez parte do Panorama Cultural promovido pela Prefeitura.
Este ano, o Fórum Indígena realizado pela Prefeitura, por intermédio da Secretaria de Educação e Cultura, deu continuidade ao debate mediado em edições anteriores sobre os direitos, as contribuições e a necessidade de reparação histórica concedida aos povos originários - cuja destituição de suas terras e a escravização ocorrida durante a ocupação do território brasileiro, pelos europeus, após o ano de 1500 - são fatos que provocaram diversos problemas sociais, sofridos desde a construção do Brasil até os dias atuais, pelos povos originários.
A abertura do Fórum foi marcada pelo espaço de fala criado no Encontro Municipal de Lideranças Inter-religiosas, ‘Construindo pontes por meio do diálogo, do acolhimento e do conhecimento contra o preconceito religioso’. Esse ‘Encontro’, promovido pelo Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Matão (COMPIR), foi articulado pelo presidente desse órgão, o jornalista Lucas Marcelino, que convidou a participação todas as representatividades religiosas do município. Estiveram presentes pessoas pertencentes as seguintes expressões religiosas: Candomblé, Umbanda, Espírita Kardecista, Católica e Evangélica.
Para o prefeito Cido Ferrari, “o Fórum Indígena promove o diálogo sobre a importância do reconhecimento dos povos originários dentro do nosso município, reconhecendo os indígenas como nossos ancestrais, e assim cumprindo com a responsabilidade que temos em promover a valorização da diversidade, do respeito as várias culturas, e proteção da memória do nosso país”, destacou o prefeito Cido Ferrari.
Houve ainda uma ‘Contação de História’ conduzida pela professora da rede municipal de ensino, Alessandra Trabuco dos Santos. Sendo especialista em alfabetização, ela utiliza histórias e música para ensinar. Os alunos do Enino Fundamental I da EMEF Prefeito Celso de Barros Perche (CAJU) foram até a Casa da Cultura para ouvirem a história “Txopai e Itohã”, uma das versões do mito que narra a origem do povo Pataxó, aqui na Terra. “A atividade aproximou as crianças da cultura e da identidade indígena, valorizando a sabedoria e a tradição dos povos originários. Uma vivência de escuta e respeito às raízes do nosso Brasil”, contou Alessandra.
Conforme avaliou a secretária de Educação e Cultura, Adreana Santana, “conhecer a fundo a história dos povos indígenas é fundamental para compreender a formação da identidade brasileira, reconhecer seus direitos e perceber que muitos problemas enfrentados nos dias de hoje pela sociedade têm relação com a questão dos povos originários”.
No marco das atividades do Fórum Indígena, o Coro de Matão realizou uma apresentação emocionante na abertura da Roda de Conversa "Terra Brasil" no dia 17/04. Sob a regência do Maestro Danilo Gomez, o grupo trouxe ao palco a canção "Benke", obra emblemática de Milton Nascimento, que serviu como fio condutor para uma reflexão sobre ancestralidade e preservação ambiental.
A escolha de "Benke" não foi por acaso. A composição, que faz parte do histórico álbum Txai (1990), foi inspirada na trajetória de Benki Piyãko, liderança do povo Ashaninka. A letra retrata a simbiose entre os povos originários e a floresta, temas que representam o cerne das discussões promovidas pelo Fórum.
"A música tem o poder de preparar o espírito para o diálogo. Trazer 'Benke' para este evento, através das vozes do Coro, é uma forma de honrar a resistência dos povos da floresta e reafirmar o compromisso da nossa cidade com a diversidade cultural", destaca o Maestro e Gerente de Formação Cultural Danilo Gomez.
Repetindo o sucesso de anos anteriores, a professora e artista Nimuendaju Antonia Pinotti de Oliveira (Juju) mediou uma ‘Roda de Conversa’ nomeada ‘Terra Brasil’ logo após a apresentação do Coral. “Houve atenção e interação das pessoas por eu ter abordado um assunto difícil sobre a posse das terras e suas consequências. Foi traçado uma linha do tempo sobre o assunto até chegar no Marco Temporal que é bem recente. Fizemos uma reflexão importante e trouxemos à tona a necessidade das demarcações das terras, a inclusão e a valorização dos povos indígenas na sociedade brasileira”, relatou Juju.
Conforme destacou Juju, “O líder indígena, Ailton Krenak, primeiro a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras, ambientalista, filósofo, escritor e ativista, fala que é necessário ‘reprogramar’ o cérebro da humanidade, para que ela possa entender a natureza e quem cuida dela são os indígenas”.
Fechando o Fórum Indígena 2026, a artista visual e educadora cultural, Nhaenjuty Antonia Pinotti de Oliveira, realizou a Exposição Fórum Indígena ‘Terra Brasil’. Após a apresentação do Coro de Matão e a Roda de Conversa, o público se deslocou do Anfiteatro até o Salão Principal da Casa da Cultura, para uma imersão às artes plásticas indígenas.