Programa ‘EducAção’ inicia fase de intervenção após Raio-X detalhado da saúde e desenvolvimento das crianças em escolas municipais
A pesquisa científica encampada por Matão sobre habilidade motora desde a infância elabora nova metodologia para aulas de Educação Física, sendo que o modelo será referência para todo o Brasil.
O Programa ‘EducAção’ - iniciativa pioneira que une a Prefeitura de Matão por meio da Secretaria Municipal de Educação e Cultura, a Universidade de São Paulo (USP-SP), a Universidade do Porto-Portugal e o Instituto Ayrton Senna - atinge um marco decisivo neste mês de abril de 2026. Após um ano de coleta de dados detalhados na EMEF Prefeito Celso de Barros Perche (CAJU) e na EMEF Profº Antônio Carlos Manzini, o projeto encerra sua fase diagnóstica e inicia a etapa de intervenção prática nas aulas de Educação Física.
A pesquisa é comandada pelo Professor Dr. Fernando Garbeloto da USP-SP, em Matão coordenada pelo Professor Me. Rodrigo Pedrassolli e a Professora Giovana Espanha. O diagnóstico, que envolveu a análise de habilidades motoras fundamentais, níveis de atividade física, indicadores de saúde e competências socioemocionais, revelou um cenário que exige atenção. Os dados confirmam a hipótese da “Cascata de Desenvolvimento”, ou seja, as crianças com menor proficiência motora tendem a ser menos ativas, apresentam maiores índices de sobrepeso e demonstram maior dificuldade em lidar com frustrações no ambiente escolar.
Conforme considerou o prefeito Cido Ferrari, “Matão está dando um passo histórico ao colocar a ciência a serviço das crianças. A pesquisa do projeto EducAção nos dará base para implementação de uma política pública fundamentada em dados reais coletados aqui na nossa rede municipal de ensino, o que contribui com o desenvolvimento das crianças na escola e por toda vida, fortalecendo a ‘Educação’ em seu grande desafio de ajudar a construir um futuro ainda melhor para todos”.
Para tanto, o projeto EducAção contribui com o avanço da Educação, de modo geral, a medida que a aquisição de movimentos voluntários do corpo estimula o campo cognitivo (psíquico), ou seja, a capacidade mental de percepção, memória, juízo, raciocínio, linguagem, etc., em todas as fases da vida humana. O exercício físico é uma forma de combater, desde a infância, o que os especialistas estão considerando ‘analfabetismo motor’ e o comportamento sedentário.
Na avaliação da secretária de Educação e Cultura, Adreana Santana, “os estudos do Projeto ‘EducAção’ acompanham o desempenho das crianças durante atividades motoras, para apontar quais as práticas adequadas a serem conduzidas na Educação Física, o que deve contribuir com os professores desse componente curricular, no sentido de tornar essa disciplina mais atrativa e eficaz, em benefício da saúde, do processo de aprendizagem, ou seja, do desenvolvimento pleno da criança”.
Sobre os objetivos, andamento e resultados da pesquisa até o momento, o Gerente de Desenvolvimento Motor e Esporte Escolar Rodrigo Pedrassolli, explicou: “Este primeiro ano de diagnóstico nos permitiu enxergar o aluno de forma sistêmica. Descobrimos que a dificuldade de uma criança em realizar um salto ou um arremesso não é um problema isolado; ela gera um efeito cascata que afeta sua autoestima e sua saúde. Agora, com o início da fase de intervenção, vamos aplicar na EMEF do CAJU, junto a um grupo experimental, métodos pedagógicos específicos para romper esse ciclo negativo".
Até o momento, a pesquisa realizada pelo projeto EducAção apontou ainda, que a criança precisa romper essa barreira de limitação da capacidade motora para poder se desenvolver de forma integral.
Como se trata de uma pesquisa quantitativa, do tipo experimental e longitudinal, a avaliação é feita em pares e às cegas, onde os dois pesquisadores, Rodrigo e a professora Giovana analisam o mesmo aluno, sem que um saiba a nota dada pelo outro, eliminando falhas de julgamento. Esse é o padrão mais alto de rigor científico. Ao final dessa fase todos os alunos são avaliados para mensurar o impacto real dessa intervenção, objetivando apresentar um novo currículo pedagógico para a Educação Física escolar, que contemple toda rede municipal. O que vem sendo construído em Matão é um modelo de Educação Física que será referência para todo o Brasil.
Planejamento
Em perspectiva, com o apoio da USP, surge a possibilidade para o Município traçar uma meta, com o objetivo de garantir que cada aluno de Matão tenha saúde e equilíbrio emocional, saindo do sedentarismo, para enfrentar os desafios da vida. Esse diagnóstico inicial pode ser o alicerce para uma cidade mais saudável e preparada para o futuro.
Números que Impactam:
Para viabilizar este diagnóstico, foram realizadas mais de 6.000 avaliações, que se desdobram em mais de 15.000 indicadores específicos de análises individuais, cruzando dados de quatro pilares fundamentais: Habilidades Motoras (TGMD-3), Atividade Física (Acelerometria), Saúde (Antropometria) e Competências Socioemocionais (Protocolo SENNA). O volume de dados gerado pelas duas unidades escolares corresponde há um N de 1300 alunos, que exige uma gestão técnica exclusiva e contínua para transformar números em políticas públicas.
Entre os achados mais relevantes, destacam-se:
• Pilar Motor (HMF/TGMD-3): Foi identificado que os meninos apresentam desempenho superior ao das meninas e que, embora o desempenho melhore com a idade, ele tende a se estabilizar após o 6º ano. Isso justifica a urgência da intervenção nos anos iniciais.
• Pilar Comportamental (Atividade Física/MVPA/OMS): Os dados de acelerometria revelam que o tempo de atividade física moderada a vigorosa acompanha o desempenho motor. Meninos são mais ativos que meninas, e a proficiência motora é o “combustível” para essa movimentação.
• Pilar da Saúde (IMC/OMS): Existe uma prevalência preocupante de sobrepeso e obesidade. A soma desses índices ultrapassam 40% entre os meninos, enquanto nas meninas, chega a 50%.
• Pilar Socioemocional (SENNA): A dificuldade em lidar com erros (frustração) é o principal desafio comportamental identificado, afetando o engajamento escolar.